Mas o resultado ainda não pode ser considerado desesperador para a oposição. Nem tudo está perdido. No entanto os números já mostram que os rumos a serem tomados devem ser outros e a busca de uma aliança com o PMDB deve ser prioridade para a oposição.
Ceder talvez seria a melhor forma dos tucanos alcançarem apoio dos peemedebistas, uma vez que o PT tem uma grande dificuldade em ceder principalmente em estados chaves como Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Em pelo menos 3 deles a disputa direta deve se dar entre PMDB e PT na cabeça de chapa. Observe as respectivas simulações:
Na Bahia o governador Jacques Vagner (PT) está com relações estremecidas com o Ministro da Integração Nacional Gedel Vieira Lima (PMDB) desde a última eleição municipal quando PT e PMDB duelaram no 2º turno com vitória do peemedebista João Henrique. Cotadíssimo para disputar o governo em 2010, Geddel que tem bom trânsito no PSDB por ter sido ministro na gestão FHC, é sondado para ser candidato em uma ampla aliança que receberia adesão do DEM, PSDB, PRÉ até o PPS. Na coligação especula-se que César Borges seria candidato a reeleição pelo PR e ACM Neto disputaria a outra vaga para o Senado. Paulo Souto nesta situação se acomodaria na vaga de vice ou disputaria uma vaga na Câmara dos Deputados.Minas Gerais é outro estado que o PT tem dificuldade de se alinhar ao PMDB. Assim como na Bahia, o empecilho remete a 2008 quando o PT apoiou o candidato Márcio Lacerda (PSB) que acabou derrotando Leonardo Quintão (PMDB) candidato do Ministro Hélio Costa, que está a todo vapor para suceder Aécio Neves (PSDB) no Palácio da Liberdade. Caso Aécio desista da disputa presidencial, buscaria uma das vagas no senado na chapa com Hélio Costa (PMDB) tendo um vice do DEM. A outra vaga do Senado poderia ficar para o ex-governador Itamar Franco que sonda filiação ao PPS. A coligação dos sonhos de Serra reuniria PSDB, PMDB, PPS e DEM.
Rio Grande do Sul - talvez um dos estados de maior dificuldade
de aliança entre PMDB e PSDB. Lá o PSDB resiste com a reeleição de Yeda Crusius que apesar de administrar de forma rigorosa e dar equilíbrio nas finanças do estado, sofre com inúmeras denúncias ventiladas na mídia gaúcha. O PMDB tem candidato no estado, o prefeito de Porto Alegre José Fogaça ou o ex-governador Germano Rigotto que aparecem em torno de 30% das intenções. Lá a rivalidade com o PT é ainda maior, remonta a anos. Se houver entendimento para que Fogaça termine seu mandato na prefeitura até 2012 e aguarde 2014 para disputar o governo, Rigotto ficaria com uma das vagas para o Senado ao lado de Zambiasi que disputa a reeleição pelo PTB na coligação de Yeda que reuniria ainda o PPS.
São Paulo – aliança praticamente sacramentada no maior estado do País. O ex-governador Orestes Quércia é o cabo eleitoral oficial de José Serra no PMDB. Já há acordo para que ele dispute uma das vagas ao senado. O candidato ao governo seria Geraldo Alckmin (PSDB) com Guilherme Afif (DEM) na vice e Romeu Tuma disputando a outra vaga do senado pelo PTB ou Soninha Francine do PPS.Mato Grosso do Sul – em nosso estado o governador André Puccinelli (PMDB) tem insistido nas declarações em favor de aliança com o PT. Pura balela, pois todos sabem que o italiano quer melindrar a força do ex-governador Zeca do PT que já aparece em torno dos 30% das intenções e pode ser uma ameaça ano que vem. André não deixará de lado os antigos aliados e ainda ganhará apoio informal de parte do PT que não trompa com Zeca. O italiano deve ir pra reeleição com Murilo (DEM) na vice e Waldemir Moka (PMDB) disputando uma das vagas ao senado. A outra, pelo que parece, será de Delcídio Amaral que deve se reeleger pelo PT, mas com apoio informal de André. O PSDB do estado se contenta com o governador pedindo votos para Serra e apoiando candidatos a deputado estadual e federal do partido.
Rio de Janeiro – estado administrado por Sérgio Cabral (PMDB) quem também tem trânsito no PSDB por já ter sido filiado ao partido. O PT insiste em lançar candidatura própria no estado e romper com Cabral. Seria o ideal para Serra que ao unir os rivais no estado o ex-prefeito César Maia (DEM), Fernando Gabeira (PV) e o governador do PMDB num mesmo palanque tornaria um grupo imbatível. Como o PSDB é fraco no Rio, ficaria com a vaga de vice e abriria espaço para o DEM e PV ocuparem a vaga ao senado. Caso não vingue a união, a solução seria fortalecer o PSDB com a filiação de Gabeira e ir para a disputa contra Cabral. No senado Denise Frossard (PPS) e César Maia (DEM) seriam os atores.
Paraná – é um dos poucos estados onde ter o PMDB como aliado não faz grande diferença. Lá a dificuldade será convencer os senadores irmãos Álvaro Dias (PSDB) e Osmar Dias (PDT) desistirem da disputa em favor do prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) que foi reeleito com 77% dos votos em 2008. O PMDB e o PT ainda que se unam, dificilmente alteram o quadro, que está polarizado entre um dos nomes do PSDB e o de Osmar Dias (PDT). Sendo Richa o candidato do PSDB, o PDT deve ficar com uma vaga ao senado para a reeleição de Osmar e a outra para um aliado na extensa coligação que pode reunir PPS, DEM, PTB, PR e até o PSB que apesar de estar ao lado do PT nacionalmente, ocuparia a prefeitura de Curitiba com a saída de Richa.Santa Catarina – em 2º lugar na disputa o vice-governador Leonel Pavan (PSDB) deve ser candidato com apoio do PMDB e do atual governador Luiz Henrique. O prefeito reeleito de Florianópolis Dário Berger (PMDB) deve ser a pedra no sapato de Pavan, pois está empatado com ele nas pesquisas e tenta convencer o partido a ser o candidato do grupo. No que pese o companheirismo, o PMDB convencerá Berger a terminar seu mandato como prefeito em 2012 e aguardar 2014, uma vez que Pavan sendo reeleito estaria impedido de buscar outro mandato, por conta da descompatibilização de Henrique que deve estar numa das vagas ao senado na coligação com DEM e PPS.
Pernambuco – vive dilema para escolha do representante na disputa pelo governo do estado. Mas o PMDB, DEM e PSDB vão voltar a conversar, pois perceberam que a separação na disputa de 2008 foi prejudicial para o partido. O objetivo maior dos tucanos era trazer o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) para ocupar a vice – presidência na chapa de Serra, no entanto, como o PMDB é muito dissidente as chances disso acontecer são mínimas. Assim, Jarbas seria candidato ao governo e Sérgio Guerra (PSDB) e Mendonça Filho (DEM) disputariam as duas vagas ao senado. A vice poderia ser negociada entre os aliados.Ceará – terra do senador Tasso Jereissati, cabeça pensante e grande articulador do PSDB no Nordeste teriam dificuldade de aliança com o PMDB. No estado a aposta rola na convergência entre Moroni Torgan (DEM) e Patrícia Saboya (PDT) para enfraquecer o PT de Luiziane Lins e Cid Gomes (PSB). Caso o PT insista em candidatura própria e rompa com PSB e de quebra não tenha apoio do PMDB, a aliança fomentada entre PSDB, DEM e PDT pode trazer dividendos para o presidenciável tucano. Só resta saber que lugar Tasso, Patrícia e Moroni ocupariam na majoritária.




